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11 outubro, 2017

Aldeia Nova de Manuel da Fonseca




Temos 12 pequenos contos que focam aspetos do quotidiano dos habitantes da vila Cerromaior e de outras pequenas aldeias alentejanas, dos anos trinta. São histórias simples, mas que retratam bem a realidade do povo que labuta de sol a sol, que vive com dificuldades, que parte à procura de emprego, que sofre, que morre, que vive de intrigas e de favores. A descrição do espaço envolvente é muito importante para a compreensão dos acontecimentos. Verifica-se que há uma sequência cronológica porque algumas personagens são recorrentes. É o caso de Rui Parral que aparece como criança, mais tarde como estudante universitário e ainda como adulto.
Foi bom voltar a Manuel da Fonseca, excelente escritor que marcou uma época e que considero um pouco esquecido na nossa literatura.



04 outubro, 2017

O Tambor de lata de Günter Grass



Este romance, dividido em três partes/”livros”, narra a história, de Oskar Matzerath, um anão alemão, nascido em Danzig, na época, uma cidade sob o domínio alemão (hoje Gdänsk). 

O personagem encontra-se internado num hospital psiquiátrico após ter sido acusado de um crime que não cometeu e tenta perpetuar as memórias da sua infância e juventude, do quotidiano da sua família e amigos e, claro, da guerra e suas consequências. Para tal, serve-se do seu tambor de lata, que sempre o acompanhou, desde o seu terceiro aniversário, para narrar a sua vida ao enfermeiro Bruno. E a aparente loucura de Oskar permite que a narração, na primeira pessoa, seja também feita pelo seu tambor, confundindo-se com ele próprio. 

Günter Grass pretende criticar de forma irónica, por vezes surreal e grotesca, uma sociedade muito marcada pela guerra (invasão da Polónia e presença das tropas russas). Oskar com o seu tambor torna-se um instrumento do poder e a sua aparente loucura é uma forma de sobrevivência. Torna-se uma personagem fria, calculista, mas ao mesmo tempo feliz e sempre apaixonado.



08 setembro, 2017

Filme Al Berto, de Vicente Alves do Ó





É no dia 9 de setembro, às 21h30, no castelo de Sines, que temos a  antestreia o filme do realizador Vicente Alves do Ó sobre Al Berto. 
A estreia realizar-se-á no dia 5 de outubro, em Lisboa. 


03 setembro, 2017

Mataram a Cotovia de Harper Lee



Mataram a Cotovia é um romance que vai em crescendo, isto é, quanto mais se avança no enredo mais conquistado se vai ficando. É mais uma obra sobre a natureza humana, centrada numa pequena cidade americana, narrada através da vivência de uma criança, Scout, ao longo de 3 anos (dos 5/6 aos (8/9 anos).
Ela inicia o seu primeiro ano escolar e a pouco e pouco, com o irmão, um amigo e o pai, um advogado viúvo, vai descobrindo a sociedade preconceituosa na qual está inserida. Miúda traquina, inteligente e muito curiosa não compreende certas atitudes hipócritas, injustas, racistas das pessoas que a rodeiam. Não devemos esquecer que este romance foi escrito em 1959, nos Estados Unidos, época em quem a cor da pele, a classe social, a educação e mesmo o temperamento das pessoas eram aspectos fundamentais desta sociedade.

Considero este livro magnífico, na medida em que se trata de um apelo à intolerância no geral apesar da questão racial ser o ponto fulcral do romance.  


29 agosto, 2017

Boa Tarde Às Coisas Aqui Em Baixo de António Lobo Antunes



Quando em 2003 comprei este livro, tentei lê-lo de imediato, mas não consegui avançar… nessa altura não tinha a disponibilidade nem a concentração necessárias que a leitura deste romance exige. Nestas férias, decidi retomá-lo (também para dar resposta a um desafio) e li-o de fio a pavio. O romance de António Lobo Antunes apresenta uma estrutura da narrativa complexa, pois as acções, os pensamentos e as memórias do presente e do passado misturam- se e repetem-se, as personagens multiplicam-se. Estamos numa Angola da pós-descolonização e o enredo é apresentado em três livros com prólogo e epílogo. Cada livro relata os acontecimentos de um agente de espionagem enviado pelo “Serviço” com a missão de apagar os vestígios deixados pelo agente anterior, de contrabandear diamantes e de os trazer para Lisboa. Todos falham.

O leitor é convidado a organizar as frases para melhor entender e reconstruir a história e assim desfrutar da escrita do autor que se revela muito rica e metafórica. 


15 agosto, 2017

O que faria eu se estivesse no meu lugar? de Celso Filipe




10 conversas descontraídas, conduzidas pelo Celso Filipe e com as quais ficamos a conhecer um pouco melhor o António Lobo Antunes. As conversas incidem sobretudo sobre a escrita e os livros do autor, as suas leituras e um pouco da sua vida privada (muito pouco mesmo, pois o autor não gosta de explorar/divulgar essa vertente). Lê-se muito bem.




09 agosto, 2017

Filme sobre Al Berto apaga imagem de poeta maldito


Relação amorosa entre o poeta e o irmão do realizador, nos anos 70, cruza-se com a história de um grupo de jovens esclarecidos de Sines, deslumbrados com a liberdade. Estreia a 14 de setembro.



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O primeiro filme biográfico sobre Al Berto não conta a história de vida do poeta. Não por inteiro. A película realizada por Vicente Alves do Ó centra-se apenas no período de 1975 a 1978, depois de Al Berto regressar do exílio em Bruxelas e se instalar em Sines. Na vila da costa alentejana onde tinha crescido, vive naqueles anos uma relação amorosa que a comunidade censura. É este um dos temas principais do filme.

Intitulado “Al Berto”, tem estreia agendada para 14 de setembro nas salas portuguesas. A produtora, Ukbar Filmes, ainda não organizou sessões de visionamento para a imprensa, mas, em conversa com o Observador, Vicente Alves do Ó adiantou o conteúdo da obra.
Notícia completa em Notícias de Sines 



Al Berto (trailer) por Vicente Alves do Ó


Publicado a 08/08/2017
Verão de 1975: depois de uns anos em Bruxelas, Alberto Raposo Pidwell Tavares regressa a Sines e instala-se no palácio da família, onde ensaia uma vida de comunidade. Encontra João Maria e apaixonam-se. Abre uma livraria na vila. Mas a gente da terra não estava preparada para tanta liberdade.

Al Berto​, brevemente nos cinemas!

08 agosto, 2017

Grandes Esperanças de Charles Dickens



Comprei este livro por volta de 79/80. Deve ter sido dos primeiros livros que comprei em Portugal, como sócia do Círculo de Leitores (está catalogado com o n.º 60). Tem capa dura, vermelha com letras douradas. Fui adiando a sua leitura até que me esqueci dele. Para dar resposta a um dos desafios de leitura que estou a cumprir, tinha de escolher um livro cujo título iniciasse com a letra do meu nome. Grandes Esperanças responde a essa condição, então, optei por lê-lo e em boa hora o fiz porque considero que é um romance avassalador.

Pip, a personagem principal, dialoga, através das suas memórias, com o leitor de uma forma sublime, e convoca-o a tomar conhecimento da sua história desde a infância até à vida de adulto. Pip é rígida e “convenientemente” educado pela sua irmã e pelo seu cunhado num lar humilde. Mais tarde, Pip herda inesperadamente uma fortuna e este facto vai provocar uma reviravolta quer na sua vida social quer na sua personalidade. Abandona a sua terra natal, a sua família e amigos e vai viver para Londres, passando a ser tratado por Senhor Pip.

Ao longo da narração, o leitor encontra-se dividido entre a sinceridade da personagem e a sua imoralidade ao afastar-se dos seus por ter vergonha da sua origem. Mas é nesta contradição da personalidade de Pip que vamos acompanhando todo o processo de construção da sua própria identidade, pela forma como reage perante situações inesperadas de violência, e de intriga, mas sobretudo perante as relações de amizade e de amor. No final, assistimos ao arrependimento e à busca pela redenção de Pip.


24 julho, 2017

Rebeldia de Cristina de Carvalho



Leninha, a protagonista desta história, miúda da província recusa-se a seguir o que a vida lhe vai impondo. Mas as opções que toma nunca a satisfazem e então vive constantemente em contradições, em indecisões e nada bate certo.
A escrita fluída e mantém-nos presos ao percurso desta personagem.



16 julho, 2017

Até que o Amor me Mate de Maria João Lopo de Carvalho



Neste livro, temos a vida e obra do nosso grande poeta, Luís de Camões. São sete as vozes femininas e apaixonadas que nos narram a sua vida, os seus amores, desamores, desavenças e nos transcrevem versos quer das Rimas quer da Epopeia. Simultaneamente, dão-nos a conhecer o reinado de D. Sebastião, o seu desejo de combater no norte de África, a hipocrisia da Corte, e a inveja que grassava em relação ao engenho e arte de Camões.



27 junho, 2017

A Mancha Humana de Philip Roth



Trata-se de um livro notável. Philip Roth escreve sobre as contradições existentes na América dos anos 90. Temos questões como o racismo, o amor, os judeus, o sexo na terceira idade, o politicamente correto, a guerra do Vietname, entre outros. Mas é sobretudo o tema da liberdade e o preço que se paga para se construir uma identidade própria, o eixo principal.
A Mancha Humana agarra o leitor pela descrição emocional de cada uma das personagens presentes. Todas se interligam e acabam por explicar a essência da personalidade de Coleman Silk.